Desenhando Poesia

Os poemas são pássaros que chegam/não se sabe de onde e pousam no livro que lês. /Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão./ Eles não têm pouso nem porto/ alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem./ E olhas, então, essas tuas mãos vazias,/no maravilhado espanto de saberes/que o alimento deles já estava em ti... Mário Quintana

2.10.06


A virtude é a mãe do vício
conforme se sabe;
acabe logo comigo
ou se acabe.

A virtude e o próprio vício
- conforme se sabe –
estão no fim, no início
da chave.

Chuvas da virtude, o vício,
conforme se sabe;
é nela propriamente que me ligo
nem disco nem filme:
nada, amizade. Chuvas de virtude:
chaves.

(amar-te / a morte / morrer :
há urubus no telhado e a carne seca
é servida: um escorpião encravado
na sua própria ferida, não escapa: só escapo
pela porta de saída).

A virtude, a mãe do vício
como eu tenho vinte dedos,
ainda, e ainda é cedo:
você olha nos meus olhos
mas não vê nada, lembra ?

A virtude
mais o vício: início da
MINHA
transa, início, fácil, termino:
“como dois mais dois são cinco”
como Deus é precipício,
durma,
e nem com Deus no hospício,
(durma) nem o hospício
é refúgio. Fuja.

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