Desenhando Poesia

Os poemas são pássaros que chegam/não se sabe de onde e pousam no livro que lês. /Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão./ Eles não têm pouso nem porto/ alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem./ E olhas, então, essas tuas mãos vazias,/no maravilhado espanto de saberes/que o alimento deles já estava em ti... Mário Quintana

28.9.06

Augusto dos Anjos. VANDALISMO


Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas,
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!


http://www.manueljodar.com/ - montagem sobre o trabalho de Manuel Jódar.

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